Arquivo mensal: Fevereiro 2016

A propósito de Fernando Pessoa….

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou.

“Auto da Barca do Inferno” – matriz do 2.º teste

Grupo I:
10 questões de leitura e análise: textos não literário e não literário (escolha-múltipla, inferência, interpretação,…)

Grupo II:
11 questões sobre diversos aspetos gramaticais (história e evolução da língua, fenómenos fonéticos, tempos e modos verbais, discurso direto e indireto, funções sintáticas, pronominalização).

Grupo III:
Expressão escrita: comentário de uma afirmação sobre a obra estudada.

Bom estudo!

A Poesia do século XX

  • Para o estudo desta Unidade do programa, vais precisar de:
  • rever o que aprendeste anteriormente (consulta este documento);
  • responderes ao questionário Kahoot lançado pela professora e tomares nota do que precisas de rever;
  • estudar as páginas 268-269 do manual (para consolidares as aprendizagens);
  • estar atento nas aulas e participares nos trabalhos de grupo que te serão propostos.

Antes disso, vamos escutar e compreender. Depois de leres o poema que se segue, escuta atentamente a melodia e discute com os teus colegas: o que é Poesia? Por que há Poetas? O que é um Poeta? De que falam os Poemas? Como “conversam” connosco os Poemas? Anota as tuas ideias neste mural. Bom trabalho!

Queria saber mais sobre o amor
E as suas mais intrincadas essências
Então fui à procura dessa tal palavra “amor”
E encontrei milhões de ocorrências

Quis saber um pouco mais ti
Do corpo que esse teu perfil encerra
Numa apurada busca depressa concluí
Há muitas mais marias cá na terra

Maria, era assim que eu recebia,
Ora prosa, poesia,
Mil declarações de amor

“Maria”, era como eu respondia,
“queria conhecer-te um dia”
E esse dia não chegou

Triste fui tentar saber de nós
Da fonte de um desejo delicado
E então deparei-me com uma frase só
“a procura teve zero resultados”

O mal só podia estar em mim
O motor de busca pesquisou-me
E ficou logo claro porque te sumiste assim:
Há um tipo no Brasil com o meu nome…

Maria, era assim que eu recebia,
Ora prosa, poesia,
Mil declarações de amor

“Maria”, era como eu respondia,
“queria conhecer-te um dia”
E esse dia não chegou

“Maria”, era como eu respondia,
“queria conhecer-te um dia”
Mas o nosso amor…
crashou…..

 

“Em nome de quê?” – uma proposta de Escrita em torno da obra de Gil Vicente e das Guerras Santas

Na última cena do “Auto da barca do Inferno” de Gil Vicente, a dos quatro cavaleiros, encontras

Imagem disponível em http://www.ladepeche.fr/diaporama/quand-toulouse-rend-hommage-aux-victimes-des-attentats/1913429-image19220796.html

Imagem disponível em http://www.ladepeche.fr/diaporama/quand-toulouse-rend-hommage-aux-victimes-des-attentats/1913429-image19220796.html

uma personagem-tipo que sabemos merecer “instantaneamente” a “Barca do Paraíso”. Porquê? Porque os quatro cavaleiros são Cruzados e combatem em nome da Fé. Estávamos no século XVI.

Em pleno século XXI, os atentados de Paris e outras atrocidades são cometidas em nome da Fé (para compreenderes melhor, lê este artigo do Jornalíssimo).

No texto de Gil Vicente, podemos ler “Vêm quatro Cavaleiros cantando, os quais trazem cada um a Cruz de Cristo, pelo qual Senhor e acrescentamento de sua santa fé católica morreram em poder dos Mouros. Absoltos a culpa e pena (…)”, bem como “Senhores, que trabalhais / pola vida transitória, / memória, por Deus, memória / deste temeroso cais!”.

Redigindo um texto argumentativo, bem estruturado, com um limite máximo de 300 palavras, diz qual a tua opinião sobre a Moralidade deste auto e o eventual paralelismo com a atualidade. O que justifica a Fé? como deve ser uma vida que mereça o Paraíso? Será que a mensagem que Gil Vicente quis transmitir ainda é válida nos dias de hoje? Que mensagem é essa? Como é que as suas personagens nos transmitem ensinamentos? Como devemos entender a Guerra Santa dos dias de hoje? e a daquele tempo?

Este trabalho deve ser entregue através da Google Drive até ao dia 12 de fevereiro (1 semana).

“Auto da Barca do Inferno” – cena dos Quatro Cavaleiros

Sugestões de resposta para a correção do TPC (a partir das indicadas pelo manual “Diálogos” da Porto Editora):

imagem disponível em https://anove.wikispaces.com

imagem disponível em https://anove.wikispaces.com

1. Os Quatro Cavaleiros representam, na realidade, um grupo – aqueles que lutaram pela expansão da fé cristã. Assim, um único cavaleiro pode representar essa mesma ideia.

2.1. A canção dirige-se aos “mortais”, em geral – “Senhores, que trabalhais /pola vida transitória” (vv. 838-839). Logo a seguir (v. 845), os Cavaleiros tratam os “mortais” por “pecadores” .

2.2. A mensagem é um aviso: “despois da sepultura, / neste rio está aventura / de prazeres ou dolores!” (vv. 846-848), isto é, os Cavaleiros lembram aos mortais a transitoriedade da vida e aconselham-nos a terem sempre presente que, depois da morte, irão encontrar a alegria ou o sofrimento, o Céu ou o Inferno, conforme tenham atuado em vida. Recorde-se, aos alunos, que esta mensagem, que, na verdade, constitui a moralidade do auto, estava já presente na Cena II (o Fidalgo) nas palavras do Diabo: “Segundo lá escolhestes, / assi cá vos contentai. / Pois que já a morte passastes / haveis de passar o rio.” (vv. 56-59).

2.3. “barca segura” (v. 835), “bem guarnecida” (v. 836 e 843), da vida” (vv. 837, 844 e 851), “mui nobrecida” (v. 850). Todas elas são expressões elogiosas e salientam que é esta a barca em que todos devem desejar embarcar.

3.1. Os Cavaleiros sabem que quem morreu a combater pela fé tem entrada assegurada no Paraíso. De resto, isso mesmo é enunciado na didascália que antecede a cena: “Absoltos a culpa e pena per privilégio que os que assi morrem têm dos mistérios da Paixão d’Aquele por quem padecem, outorga – dos por todos os Presidentes Sumos Pontífices da Madre Santa Igreja.”

3.2. O Diabo manifesta espanto e incompreensão pela atitude dos Cavaleiros (vv. 860-861). O Anjo mostra a sua alegria por ter finalmente chegado quem ele esperava.

4. Como a Igreja só tinha a ganhar com as Cruzadas, quem nelas participasse ganhava, automaticamente, um lugar no Céu.