Um percurso…

Sobre a professora que fui, sou e quero ser. Sobre ensinar e aprender com as TIC. Sobre Inovação e competências do século XXI. E ainda…. sobre a minha aprendizagem ao dinamizar o webinar para a COIED

O título é longo. Aceito. Acusar-me-ão de ser demasiado ambiciosa. Talvez. Este post é o resultado de semanas intensas de trabalho e reflexão; não para aqui chegar mas que provocaram também tudo o que quero escrever.

São o resultado dessa enorme vontade de escrever. Do tempo que não estica. E deste gosto que sinto em aprender e formar com as tecnologias.

Parte do que tinha aqui para dizer já foi publicado. O facebook é assim: alguém da tribo diz, comenta, pensa e logo nós comentamos se o que foi dito nos diz alguma coisa. E como eu tenho uma tribo 5 estrelas, aqui fica a transcrição das últimas notas:

(quem já me leu no FB, faça scroll down até ao texto novamente  a negro)
A aprendizagem do Futuro
por Teresa Pombo a Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 20:47
Primeiro… o Paulo Simões chama a atenção para uma apresentação do Steve Wheeler e para o artigo que o acompanha onde podemos ler:
The blended learning courses of the future will be those that combine formal and informal learning features. Formal learning will be undertaken mainly for the purpose of gaining accreditation, informal learning will be engaged with for the remainder of the waking hours. Unless we can harness the power, excitement and richness of the informal personalised learning experience and translate it into formalised settings, we will continue to see a widening rift between school and education. The slideshow above – a part of the keynote speech I gave at LearnTEC in Karlsruhe, Germany, earlier this month – illustrates these and other thoughts about what we might see in the future of learning.”
Depois… a Mª José Vitorino comenta “To Blend or not to blend”
😉
E… quando dou por mim, estou a responder-lhe de enfiada:
“To blend or not to blend…..if possible, blended is nice! if not, only “e”, but combining formal and informal :-)
Ou seja, eu ainda não fui ler o Steve aqui nesta apresentação mas posso dizer o que sei para mim e defendo: que é cada vez mais necessário que as situações formais de (ensino-)aprendizagem tenham em contam TUDO o que se aprende de modo mais informal e que é TANTO e tão útil e válido.
É por isso que no contexto da educação básica, por exemplo, não se pode continuar a insistir em currículos e actividades demasiado fechados e desligados das situações de vida real.
A mim, um aluno de Língua Portuguesa de 9º ano não costuma perguntar porque está a aprender “Os Lusíadas” porque até lá já teve gosto em descobrir-se português e sabe que o maior objectivo é sempre gostar de ler e escrever para comunicar cada vez melhor.
Mas tantas vezes vejo ensinar por ensinar, sem gosto entusiasmo ou paixão :(
Não sei se este vai ser o início do texto que tenho na ponta dos dedos há algum tempo mas…. deixo uma promessa a mim mesma pois quero:
– escrever sobre isto
– escrever sobre a professora que fui, tenho sido, quero continuar a ser
– escrever sobre a excelente experiência de aprendizagem que tive esta semana ao fazer o webinar “Diigo e Google Docs, partilhar e colaborar para aprender” durante o COIED
me aguardem! ;-)”

***


Usos e vivências das Tecnologias. Eu aprendo assim e tu?
por Teresa Pombo a Domingo, 13 de Fevereiro de 2011 às 16:12
“Comentário muito bom do Helder Santos no grupo Sapo Campus no Secundário! ” diz o Carlos Santos. Sobre usos e vivências das tecnologias pelos jovens do secundário
Aqui: http://www.facebook.com/home.php?sk=group_121452527924835
Não está bom, está excelente!
E, aí está! não está nas nossas mãos, não é nossa responsabilidade como professores não só integrar os usos que fazem e compreender o seu potencial de aprendizagem (informal) como levá-los a usar as ferramentas ao dispor da melhor maneira? Se não formos nós a ajudar, grande parte dos nossos alunos não sabe tirar partido. Se continuarmos a achar uma grande coisa dizer “Façam uma pesquisa!” (o Google existe certo?!) e não os ensinarmos a ler criticamente, a filtrar, a reunir, a colaborar, a criar…. ai Carlos, tu não provoques, que é preciso acordar esta gente! :)
Tenho um filho no 9º ano; observo-o a ele, observo os meus alunos. Este ano como não estou a leccionar uma disciplina, mas a dinamizar uma área curricular não disciplinar apenas, dou por mim ainda mais observadora e, cada vez mais, mais crítica.
Na reunião de pais do meu filho, já me olham de lado (e eu temo que o olhem de ponta a ele, confesso). As coisas que peço aos meus alunos, cada vez parecem mais saídas de um filme de ficção científica; como só eu peço, o complicado é comigo, fácil é continuar a fazer trabalho de copy-paste que o professor falsamente ingénuo aceita ou as eternas fichas de trabalho policopiadas (aí já evoluímos, porque os colegas mandam a ficha por email para a senhora da reprografia que, às tantas, anda à nora).
Depois observo o meu filho que, vá lá anda meio entre as estratégias que ele julga melhores (apontamentos, muitas vezes no word e as hiperligações para exercícios que me pede) e o decorar que o pai defende (é uma estratégia, dá segurança mas…. eu que nunca fui capaz de decorar nada tento explicar que aquilo só serve para aquele dia, 90 min, despejas como melhor consegues e já está).
E depois percebo, uma vez mais, que tudo está no alfa e no ómega, no principio, o currículo (aulas massificadinhas) e no fim, a forma como se avalia e, infelizmente, não a forma como se deve ir avaliando.
E eu dou por mim a pensar “STOP, parem o filme, isto está tudo errado!” vamos procurar o que está certo e mostrar!” Sim porque há também muito certo por aí mas está quase sempre escondido.
E pronto, enquanto escrevo que nem uma louca, o filhote revê os conteúdos giríssimos da próxima ficha de História e eu penso…. se fosse eu.. desta vez não havia ficha, ensinava (se fosse preciso ensinar) a usar o moviemaker (pq está nos pc’s ou outro equivalente web 2.0 free) e pedia um filme sobre esses conteúdos, com guião prévio feito em grupo (colaboração, trabalho em equipa, criatividade, lembram-se? competências~chave no século XXI, domínio das tecnologias…) e garanto-vos que, daqui a muitos meses, ele ainda se lembrava desses conteúdos.
Aprendizagem significativa alguém sabe o que é??

Bem, vou fazer uma merecida sesta. Estou como o poeta, “cansa sentir quando se pensa!” ;-)”

Prosseguindo, então… vamos lá falar sobre o que motivou uma e outra nota.

Por um lado, ….. Steve Wheller faz-nos pensar sobre o que pode ser a aprendizagem no futuro e alerta-nos quer para as ferramentas de aprendizagem, quer para os contextos, quer para os conteúdos e competências que se estão a desenvolver o que implica que não possamos continuar a descurar os ambientes de aprendizagem informais e personalizáveis, a existência de toda a web 2.0 em particular e das tecnologias em geral, telemóveis, consolas de jogos, etc.

Ou seja, meus amigos, o que é que precisamos de ensinar aos nossos alunos, como é que andamos a fazê-lo e, afinal como é que eles andam a aprender e o quê? A Aprendizagem do futuro é já hoje. A mudança é urgente correndo o risco de estarmos a comprometer saberes, competências e o futuro desses mesmos alunos.

Por outro lado… o Hélder Santos questionava o estudo de uma ferramenta (no caso a criação de um ambiente virtual, social,  de construção de aprendizagens para os alunos do secundário), pois na verdade os alunos não sabem nada destas ferramentas da web 2.0 e outra que tais, eles querem é jogos e facebooks e … bom, estão a ver….

Ao que eu respondo… pois é…. não conhecem e os que os levam a usar… sentem-se quase extra-terrestres como eu me sinto tantas vezes. É que a questão já não é (ou já não pode ser) dar-lhes um blogue (ou o moodle, pronto, eu não morro de amores pelo moodle na educação básica) para terem uns conteúdos arrumadinhos, a papinha feita, umas fichas em pdf (o que eu andei a fazer durante muito tempo e depois…. já não fazia só isso… depois, quando? quando passei a dispor de pc’s para eles). Ora bem, continuando, umas coisas giras para os pais verem (quando vêem) e os jovens (e o professor) se sentirem motivados.

A questão está em dizer a esse jovens qualquer coisa como “meus amigos, nesta unidade é suposto que aprendam isto e isto e vão ter tarefas de aprendizagem/avaliação que são assim e assado, têm aqui estes conteúdos, estas ferramentas e agora… trabalhem… ao vosso ritmo, com base no que já sabem, de forma colaborativa, revelando criatividade mas… mostrem o que valem!”.

A isto não sei se se chama aprendizagem baseada em projectos, com tecnologias… sei lá… às vezes as etiquetas não me interessam muito (prometo que depois arrumo quando tiver tempo para estudar e se o Doutoramento aflorar isto…. à distância que ainda o vejo….não sei :) )

O que eu sei é que estamos no século XXI já há um bom bocado e não podemos ensinar descurando esta realidade, a realidade deles e não podemos fechar os olhos e insistir num ensino massificado, num ensino que não seja aprender com eles, aprender a aprender, aprender a colaborar, a partilhar, a trabalhar em equipa, a procurar soluções, a ser criativo.

Mas querem ideias? eu dou :) ou melhor vendo :) mas aviso desde já, a mudança exige algum esforço mas traz de volta imenso prazer :)

***

Sobre a COIED, uma breve nota. Voltarei no final das duas semanas do evento.

Foi um prazer enorme ter aceite o desafio para dinamizar um webinar. Algum nervoso devido ao meu defeito maior, o perfeccionismo (ou será o orgulho? lol) Algum nervoso devido ao formato. Eu falo muito, sou irrequieta, não me acho particularmente bonita, muito menos fotogénica ou telegénica. Falar frente a uma câmara? mesmo que seja a minha, mesmo que seja no meu querido escritório??  Resultado, um enorme investimento no ppt de suporte e uma sessão à qual sobreviveram cerca de 175 participantes num registo que alguém classificou como “magistral” ou seja uma aulita :) mas, pelo que percebi, uma aula a que a malta gostou de assistir. Pronto! missão cumprida. Estamos aqui para servir :)

Adorei o tema que tinha escolhido e aprendi imenso, não só ao arrumar a informação que queria transmitir mas sobretudo porque foi o 1º webinar e, agora, já sei como é. O segundo, venha ele quando vier, custará menos :)

Agradeço ao Professor José Lagarto que tanta publicidade faz desta sua ex-aluna :) e a quem devo muito, não só do que aprendi, mas do que tenho crescido tal é o incentivo :) Agradeço à Celina Lajoso, grande organizadora do evento e excelente moderadora. Ao Paulo Belo, à Liliana Botelho e ao João Pereira também: obrigada por tudo!

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10 thoughts on “Sobre a professora que fui, sou e quero ser. Sobre ensinar e aprender com as TIC. Sobre Inovação e competências do século XXI. E ainda…. sobre a minha aprendizagem ao dinamizar o webinar para a COIED

  1. Cornélia Castro

    …«num registo que alguém classificou como “magistral”»…
    Esse “alguém” fui eu e, desculpe-me cara colega de Língua Portuguesa, mas o significado de “magistral” não é “aulita” :)
    Indica o Dicionário online de Português:
    «Significado de Magistral
    aj. Relativo ao mestre; imperioso, autoritário: tom magistral.
    Que tem a marca da superioridade, da excelência; irrepreensível, perfeito: uma obra magistral.»
    (Aproveito, porque sou licenciada em Ciências Farmacêuticas, para deixar aqui outro possível significado de “magistral”:
    Medicamento magistral, o que se prepara na farmácia mediante receita, em oposição ao medicamento oficial, que se vende preparado.)
    Portanto, considerei a tua webconference, caríssima “mestre” com “a marca da superioridade, da excelência; irrepreensível, perfeita».
    Acrescento ainda que e de novo, estiveste calmíssima, claríssima no discurso e fotogénica.
    Parabéns, também mais uma vez, esperando ver-te e ouvir-te muitas mais vezes…
    Aqui ficou o comment desta colega de Ciências, que gostas de “desafiar” (sic) :)
    Hugs & kisses
    muitos
    :)

  2. José Paulo Santos

    Amiga Teresa, quero felicitar-te por esta tua reflexão muito pessoal e íntima sobre o Ensino e a Educação. Seria importante que todos os professores se dedicassem à escrita, à partilha das suas experiências e visão sobre as suas práticas pedagógicas. Este olhar crítico é fundamental para evoluirmos como docentes. É já tempo de procurar a mudança. Os nossos alunos merecem-na e dela necessitam urgentemente para se ajustarem às exigências do presente e do futuro.
    E fundamental criar novos contextos de aprendizagem, onde cada aluno possa revelar as suas múltiplas capacidades – muitas vezes desconhecidas dos professores, por nunca lhes ter sido dada essa oportunidade.
    A avaliação – esse calcanhar de Aquiles do Ensino, dos Professores. Revolta-me que a avaliação formativa seja tão desprezada e tão pouco praticada. Esta é aquela que, de facto, exige trabalho e estratégias diversificadas por parte do docente. Regular as aprendizagens, de forma assídua e sistemática, é algo que, de uma vez por todas, deve ser realizado, de facto!
    Não posso aceitar que se continue a “classificar” os alunos, sem que tenham sido esgotadas as mais variadas actividades que promovam reais situações de aprendizagem e de construção do conhecimento. Todos os alunos possuem capacidades que só se revelam, se forem estimuladas. Cabe ao professor propiciar tais contextos, caso contrário, corre o risco de penalizar e de comprometer a evolução e progressão dos alunos.
    A transformação é possível e esta só acontece a partir de uma nova atitude educativa. É urgente pôr em causa práticas seculares, discuti-las nas escolas e procurar novos caminhos, juntos, partilhando ideias e experiências, em contextos formais e informais.
    É preciso dar voz aos “líderes” que, em cada escola, vão remando contra marés. São agentes de mudança, apaixonados, auto-motivados e com uma energia contagiante…
    São necessárias mais “Teresas Pombo” nas Escolas.
    Obrigado por estimulares o pensamento aos alunos e aos professores…

  3. Teresa Pombo Post author

    Cornélia e José Paulo, deixais-me sem jeito. Agradeço-vos do coração o incentivo.
    Os vosso textos estão 5 estrelas e enriquecem o meu. Obrigada!
    E…. ou …. mas…. dou por mim a pensar….. estes dois não precisavam de ler isto…. a eles não preciso de os “acordar”. Então, como é que vou mostrar o que quero aos outros? tenho pensado muito nisto e só tenho uma solução: continuar a fazer o que faço, continuar a tentar fazer o meu melhor, continuar a fazer formação contínua de profes e, sobretudo, funcionar como os olheiros do futebol e pegar em todos os que estão no bom caminho e dar-lhes toda a visibilidade possível, incentivá-los mais e mais. Davam-me tanto jeito os dias de 48 horas.

  4. João Marques

    “Alice: Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
    Gato: Isso depende muito de para onde queres ir .
    Alice: Preocupa-me pouco aonde ir.
    Gato: Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas…”

    Este texto é claramente da Teresa Pombo.
    Constitui, por isso, um momento de interpelação e de questionamento a todos.
    Penso que o caminho que temos para percorrer (ou os muitos caminhos) para chegarmos à tua visão das coisas ainda é muito longo.
    A escola que queremos não pode estar desligada da sociedade em que vivemos. A escola que queremos construir é parte integrante da sociedade para a qual deveríamos querer caminhar. (a meu ver um dos grandes problemas na escola de hoje é que falta definir a visão, a missão e os valores que presidem à instituição escolar, e sem sabermos para onde queremos ir dificilmente chegaremos a algum lado – e não temos visão, missão e valores na escola (ou temos um grande confusão, porque enquanto comunidade também andamos todos muito confusos – mas isso seria outro problema).

    Para tantos colegas nossos, para tantos pais, para tantos decisores não faz qualquer sentido arrumar para um canto a cantilena decorada.
    Ainda me lembro de ouvir as minhas coleguinhas de escola rezando a matéria para a seguir a escreverem, à vírgula, no teste e depois a esquecerem para sempre.
    Tive, pelos vistos, o mesmo problema que tu. Nunca consegui decorar nada à martelada. Sempre associei isso a uma preguiça que os outros identificavam no meu comportamento escolar.
    Por isso, porque era a disciplina onde eu não precisava de decorar, onde tudo fazia sentido para mim, escolhi a matemática.
    Hoje quando leio um romance do Saramago ou uma poesia da Sophia penso que perdi 25 anos de leituras e que seria certamente muito melhor se tal não tivesse acontecido.
    Recordo ainda hoje a professora de história do 8º ano que, com quadro negro (acho que era verde, mas já não me recordo bem) e giz produzia uns esquemas em que criava mapas de conceitos absolutamente fabulosos…tudo aquilo era matemática da mais elementar…tudo aquilo fazia sentido…era, percebo hoje, alguém à frente no seu tempo…fazia-nos perceber porque nos fazia pensar.
    A chegada das tecnologias nada muda se a atitude não mudar…
    dos trabalhos feitos copiando enciclopédias na biblioteca passamos aos textos escritos pela técnica copy/past…
    No entanto as tec edu abrem janelas imensas que alguns correm a fechar quando entendem que se elas se mantiverem abertas tudo mudará à nossa volta.
    ainda é difícil para alguns entenderem que o conteúdo a seco, sem contexto, apenas memória é hoje um absurdo completo. memorizar datas ou conteúdos similares (sem ir mais além) numa sociedade em que esses conteúdos estão à distância de um milésimo de segundo é estar completamente fora do contexto real.
    Trabalhar competências não é uma forma de menosprezar conteúdos é ser muito mais exigente, é dar-lhes sentido…construir aprendizagem com os alunos é torná-los cidadãos capazes de pensar, de alcançar o mestre ou ir até mais longe.

    Ler-te é voltar a acreditar, é ganhar força para fazer caminho. saber que o que escreves é o que tu és, é saber que esse caminho é possível, basta caminhar sempre com mais e mais vontade de aprender…

  5. Teresa Pombo Post author

    Transcrevo para aqui as reacções que já recebi no Facebook.Obrigada!

    Mario Pires: É um bom texto, mas depois há o outro lado da moeda, a lei do menor esforço de muitos alunos…..

    João Leal: ?”O que eu sei é que estamos no século XXI já há um bom bocado e não podemos ensinar descurando esta realidade, a realidade deles e não podemos fechar os olhos e insistir num ensino massificado, num ensino que não seja aprender com eles, aprender a aprender, aprender a colaborar, a partilhar, a trabalhar em equipa, a procurar soluções, a ser criativo.”

    Sem dúvida Teresa.

    Eu depois devo querer “comprar” algumas ideias. 😉

    O grande problema que se coloca ao tentar inovar, ensinar, alterar práticas, tentar a busca pelo saber prende-se sobretudo com o facto deles olharem e verem a geração mais qualificada de sempre sem “poder” (esta música dos Deolinda é fantástica a esse nível: http://www.youtube.com/watch?v=f8lo82tXbWU)!

    Eu julgo que (termino novamente como comecei, parafraseando-te – que palavra tão grande) “a mudança exige algum esforço mas traz de volta imenso prazer”. Sem dúvida!

    Eu :) Eu já devia ter ido descansar há muito meu caro mas ainda te respondo, meu caro, pois tu mereces :) debato-me com isso e cada vez mais e, muito sinceramente, acho que as tarefas que de modo geral se andam a pedir aos nossos alunos são pouco complexas, a forma como são avaliados nem sempre é séria. Frequentemente os nossos alunos não se sentem desafiados, envolvidos, motivados e, como tal, esforçam-se pouco. Muito sinceramente, eu também me esforçaria pouco à décima ficha de trabalho escrita que me pusessem à frente.

    Joãozinho, sobre essa da geração sem poder…. ui…. proibi-me a mim mesma de comentar na altura em que foi trazida à baila e acho que vou continuar a fazê-lo. É porque me soou muito a “coitadinhos de nós” e como eu não sou pessoa de passar a mão na cabeça de ninguém…. adiante :) e agora vou! Fui!

  6. João Leal

    Antes de mais, não somos coitadinhos nem era a esse nível que queria chegar, mas… não me vou alongar mais sobre isso.

    Teresa, precisas de nos “acordar” a todos!
    Se quem dizes que não precisa está presente é porque se esforça e tem gosto por não ficar estagnado. Se “nos” dás força para te responder e ler, qual será o efeito em quem anda mais “perdido”? Certamente um efeito “revelador”.

    Infelizmente João, a realidade que retratas julgo que todos a vivemos. Eu também escolhi a Matemática inicialmente e… interessante, nem as fórmulas que sempre me pediram para decorar as sei! 😉 No entanto com o pouco que sei chego lá, onde minimamente se quer, nesse Universo. Mais uma incrível semelhança entre nós os dois?!

    As TIC têm-se inserido subtilmente, na nossa sociedade e consequentemente no sistema escolar.
    Todas estas mudanças são impostas por uma sociedade em constante evolução, que necessita cada vez mais de novos equipamentos, quer a nível tecnológico, quer de indivíduos capazes não só de os desenvolver mas também, de os saber utilizar.
    Simões, Lopes e Silva (2002), referem que a nível macroeconómico o progresso técnico, circunscrito nas TIC’s, leva a manifestar a hipótese de uma Nova Economia. O contributo das TIC foi e é fundamental para o crescimento económico dos últimos anos, nomeadamente a produtividade do sector das novas tecnologias; os efeitos de spill-over noutros sectores e a difusão de novos canais de distribuição.
    Assim, podemos afirmar que nos nossos dias as TIC’s representam uma nova variável estratégica na tomada de decisões das empresas e dos particulares, dado que originam novas formas de trabalho constituindo igualmente uma fonte adicional de vantagens competitivas para as organizações.
    É compreensível a insegurança que as TIC originam. Porém, estas existem, são sedutoras e conquistam cada vez mais alunos e professores. Para além disso, se a escola se quiser enquadrar na realidade terá de assimilar, conscientemente, as virtualidades destes poderosos instrumentos e transformá-los em complementos necessários à educação.
    Daí ser indubitavelmente importante a revisão e renovação permanente dos docentes, quer a nível das capacidades básicas, quer em campos específicos de actividade. O professor não pode nem deve competir com as TIC, sendo no entanto fundamental conhecê-las, compreendê-las e entender as suas implicações pedagógicas de modo a poder procurar e orientar a informação de que os alunos necessitam.
    Por exemplo, através da Internet rompem-se barreiras físicas da sala de aula e abrem-se janelas para o mundo, tornando possível estabelecer projectos educativos entre alunos de diferentes culturas, raças, religiões, nacionalidades. Eça (1998) questiona mesmo se existe outro meio de comunicação global ou globalizante que nos possibilite alcançar um conhecimento individual ou colectivo de forma mais directa e natural.
    Mas, também os sectores empresariais deverão ser capazes de afirmar com clareza o rumo que o sistema educativo deve tomar, dado que só com o interesse e compromisso colectivo de mudança e de melhoria do estado da educação poderá haver eficácia nas acções e efectiva melhoria.
    Em conversa com alguns responsáveis das empresas enquanto acompanhante de alunos em período de Formação em Contexto de Trabalho foi fácil constatar que nos nossos dias o mercado de trabalho é bastante exigente e difícil, com bastantes alunos “perdidos” e sem saber o que fazer. Espera-se que os nossos sistemas de educação (dado que estes se encontram num ponto de viragem nos seus ciclos de vida) correspondam melhor e com maior relevância, face às grandes transformações que ocorrem à nossa volta. Por outro lado, as empresas preferencialmente recrutam pessoal que comece a produzir de imediato, o que implica menores encargos para a empresa no que diz respeito a formação profissional que não necessitam.

    Teresa, se os alunos não sabem, se não formos exigentes, como estarão preparados para o mercado de trabalho?

    Ao longo dos últimos, existe uma frase que me tem acompanhado e da qual gosto muito: “O que somos é uma coisa; o que pensamos que somos pode ser outra. Mas a imagem que levamos dentro é certamente influente, dir-se ia mesmo decisiva para o nosso comportamento e o nosso destino. Pois do crer e do descrer dependem a iniciativa ou a passividade.” (Papel e Imagem do Professor, CCRN, 1986).

    (xiiiii … grande seca, não?)

  7. Paulo Simões

    Como sabes Teresa, não sou pessoa de escrita…apesar de saber que é um exercício que me faz muito bem 😉 Sou pessoa de “fazer”, de “ação” e como sei que não consigo colocar na escrita aquilo que me vai na alma, ainda para mais depois destes extraordinários comentários e da tua excelente “divagação” vou tentar escrever “qualquer coisita” de jeito. 😉
    Gostaria então de partilhar um episódio que me aconteceu neste fim-de-semana, conjugado com outras observações que tenho vindo a fazer e que poderão contribuir para a conversa…
    Deu comigo, este Sábado, a observar uma jovem, que não devia ter mais de 19 anos, e que estava a atender os clientes num MacDrive… Auscultadores na cabeça, com micro ligado, a falar, presumo que, com os clientes. De pé, a encher sacos de batatas fritas, a correr para ir buscar mais hamburgueres e colocá-los dentro da “caixinha” para entrega aos mesmos cliente com quem tinha falado há 1 minuto atrás. Isto tudo a mil a hora… :)
    Cara Teresa e amigos, isto é um emprego do Século XXI, certo? Parece não haver dúvidas 😉
    Multi-tarefa ? Sem dúvida…
    As nossas escolas preparam os nossos alunos para este tipo de trabalho? Devem preparar?
    Bem sei que me podem dizer que é trabalho precário…temporário…
    Pois…não sei…Até isso já tenho sérias dúvidas que seja.
    Dei por mim a pensar que a “moçoila” ainda conseguiria atender o seu telemóvel, sem qualquer problema, continuando a trabalhar como se nada fosse…
    Tudo isto fez-me pensar, entre outras coisas, na utilização dos telemóveis na escola, na utilização do computador em sala de aula presencial, na mistura de tudo isto… :(

    Conclusão: Depois de tudo isto fiquei ainda mais triste e apreensivo.

    Solução? Não faço ideia… mas, como sempre, continuo disponível para evangelizar 😉

  8. Teresa Pombo

    Com que então… “divagação”!! hummm, converso contigo, depois 😉 LOL
    Se a minha divagação te faz, vos faz, participar, então divagarei.
    Ora bem, tenho sérias dúvidas em aceitar que a escola deve preparar para esse multitasking. Esse desembaraço adquire-se com a prática mas sim, gostaria de ver uma escola que simulasse mais situações da vida real. Puxando a brasa à minha sardinha, gostaria que essa menina se dirigisse com correcção linguísitica aos seus clientes, dado que tantas vezes os meus ouvidos se ferem com uns “yas”, “prontos” e “tu estivestes”. Mas como também já ouvi isso de pessoas licenciadas e em plena televisão…. adiante.
    As escolas têm, sobretudo que fazer estas coisas:
    – deixar que o aluno se descubra como pessoa e se desenvolva plenamente (costumo pensar que eu não ensino nada, só os faço descobrir o que já sabem);
    – dotá-lo das competências que o ajudem a ser autónomo e responsável;
    – motivá-lo para a aprendizagem, para o prazer da leitura;
    – ensiná-lo a aprender a aprender;
    – despertar a sua criatividade:
    – ensiná-lo a trabalhar em equipa, conhecendo as suas próprias capacidades e respeitando o outro;
    (outros aspectos decerto que não me ocorrem agora, até porque falo numa perspectiva transdisciplinar).
    Ora, em pleno século XXI, não creio que seja possível cumprir esta missão sem as ferramentas tecnológicas, sem as vivências em rede que potenciam a colaboração e a partilha.
    Grande parte do problema da escola, vá lá, dos professores é que pensam o seguinte “Temos de ENSINAR!”. Para mim, isto está errado. Na escola “temos que APRENDER!” E tem o professor que aprender, continuamente, reflectir continuamente, conhecer, adaptar, respeitar ritmos e apetências. E tem o aluno que APRENDER, TRABALHAR! O professor: “Hoje tenho de falar disto e disto e disto, com os alunos centrados no quadro (seja que quadro for) ou no professor….” NÃO! nada disto. Os alunos devem trabalhar, descobrir, envolver-se, colaborar, responder a desafios, tarefas complexas, projectos e depois eles sim, devem falar. Só estas aprendizagens serão significativas, eficazes, duradouras,úteis. O professor está lá, tem de estar sempre, é imprescindível. Para quê? Para guiar e apoiar!

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