Um percurso…

Ai os Exames, os Exames!…. registo a minha opinião.

Não tenho nada contra os Exames. Bem pelo contrário, estou habituada a eles. Estão perfeitamente inseridos na minha prática educativa. Dou aulas vai para 20 anos e tive a sorte de, na maior parte da minha carreira, ter tido oportunidade de acompanhar alunos do 10º ao 12º ano (1996- 2002) e, depois, do 7º ao 9º. Dou aquilo a que chamam “uma disciplina estruturante”, Português. E nós, professores das tais áreas “estruturantes” de Português e Matemática, temos tido a atenção toda sobre nós. Até tivemos direito a um Plano de Ação para a Matemática e a um Plano Nacional de Leitura. Soube-se esta semana, salvo erro, que termina o primeiro porque não forneceu dados concretos (?!) e continua o segundo (ainda bem!) Não sei que dados concretos são esses. Resultados extraordinários na melhoria dos resultados? Resultados aferidos como? Com os Exames? E, pergunto, foi feita uma análise qualitativa daquilo que o Plano de Ação da Matemática permitiu mudar nas Escolas? Os professores foram questionados? Houve melhorias nas condições com as quais se trabalha? Houve mais trabalho colaborativo entre os docentes? Houve…. Bom, voltemos aos Exames.
“O professor deu o Programa? ai, tem de dar, vai ter Exame.” O que não corresponde a, por exemplo, 3 semanas de aulas debitadas sobre “Os Lusíadas” dadas à pressa “para cumprir”. O Professor dá o Programa porque ele existe, porque a noção de currículo aberto, essa então, é demasiado “à frente” para o país que temos. Eu gosto do Programa. O (meu) Programa não me escraviza embora questione o aumento do peso da tal “Gramática”; não é por terem decorado as Locuções e conjunções que os alunos saberão ler ou escrever melhor. Mas nem isso me assusta. O que questiono é a ideia de que os Exames melhoram as aprendizagens. Não, os Exames servem para aferir os processos, para ajudar o processo de ensino e deveriam servir para melhorar o trabalho colaborativo com os exames. Mas não é o que se faz em 120 minutos que avalia o que o aluno sabe. O aluno sabe em situação e deve ter mostrado o que sabe ao longo dos 3 anos que conduziram ao exame. Por isso é que vai a Exame. E se for bem preparado nada tem a temer, a não ser os tais nervos de meia hora e mesmo esses um bom professor trabalha com os seus alunos pois deve saber tranquiliza-los e transmitir-lhes confiança.
Em grande parte dos últimos 12 anos da minha vida profissional tive a sorte de trabalhar muito de parte com uma colega de Matemática. Sónia Dias. Mestre em Educação Matemática, área de Avaliação de Aprendizagens. Professora. Investigadora. Ainda não tem 40 anos. Para mim, uma das melhores professoras de Matemática que conheço. Eu e ela “tínhamos/temos Exame” :) de 3 em 3 anos. Mas nem eu nem ela fazíamos testes ao longo dos 3 anos. Os nossos alunos não tinham, não têm, testes marcados no livro de ponto, muito menos 2 por período, muito menos ainda a folhinha preenchida até Junho. Os nossos alunos (bem como todos (ou quase) da minha escola, em todas as áreas disciplinares, têm tarefas de aprendizagem sobre os diversos aspetos em que devem ser avaliados (no caso da minha disciplina, compreensão oral e escrita, expressão oral e escrita e conhecimento explícito da língua – a tal gramática). Os meus alunos não sabem, por um lado “quando vão ter teste”, porque não têm testes, mas sabem que semana sim, semana não, há uma tarefa de aprendizagem que é recolhida para avaliação; podem não demorar 90 min a cumpri-la, podem ser só 15 e posso não recolher os mesmos exatos elementos  de todos os alunos mas, no final do período, não haverá grandes margens para dúvidas; antes de mim, farão eles novamente a sua auto-avaliação e terão como provas uns vinte elementos diferentes. Os critérios foram bem esclarecidos previamente, eles sabem exatamente o que devem saber, como vão ser avaliados e fazem muitas vezes hetero-avaliação. As últimas épocas de exame têm sido serenas para eles e, por norma, em algum momento do 10º eu escuto-os dizer que “o Português do 10º até é fácil”. É o melhor sinal de que a missão foi cumprida.
Eu não tenho nada contra os Exames. Mas gostaria que eles melhorassem o Ensino, eles e as Tecnologias, e a Aprendizagem por Projetos e mais uma série de coisas. E só depois, queria que um Ensino melhor, mais inovador, melhorasse, isso sim, as Aprendizagens. Ah…. E também gostava que quem fizesse os Exames tivesse um profundo conhecimento científico, metodológico e desse aulas nem que fosse só a uma turma, para conhecer a ESCOLA. Para que depois não existissem problemas, gralhas, correções e desorientações.
[imagem disponível em http://ummundoglobal.blogspot.pt/]
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