Um percurso…

Trabalho cooperativo. Resolução de problemas. Uma aula de Português de 7.º ano.

Cheguei à sala uns cinco minutos mais cedo. Gosto de começar cedo. Eles estão mais disponíveis, menos cansados. Há sempre IMG_20170324_081604alguns mais sonolentos, com hábitos menos saudáveis, smartphone, pc ou tv até mais tarde. Também gosto da aula do 2.º bloco, nessa já não há atrasos e ainda não estão cansados como no último bloco. Mas, voltemos à manhã de hoje. Arrumei a minha sala “autocarro” em grupos de 4 e 3 alunos, de maneira a acomodar os 30 alunos que aí vinham. Trinta!, numa aula de Português e pensar que, quando estive na Suécia em dezembro, assisti a uma aula de língua materna em que estariam uns 15. O trabalho que se consegue fazer é tão diferente…. como convencer alguém disto, de que há escolas sobrelotadas como a minha, de que todos os professores contratados há muitos anos se o são é porque são DE FACTO necessários, como…? E as perguntas que ainda me apetece fazer…

IMG_20170324_091031Mas voltemos à aula que isso é que é o importante. Sempre que entram na sala e ela está assim, mesmo não sendo a primeira vez, a predisposição é diferente. Aliás, eles já quase se habituaram a que na aula de português não existam muitas atividades rotineiras. Os protagonistas são eles e, porque o são, adoro os momentos em que peço protagonismo. E não é que todos se calam e prestam imensa atenção, à explicação ao raciocínio?… muito bom! Mas já me estou a distrair novamente…. é fácil, quando escrevo sobre eles… :)

Ainda não se sentaram e já querem saber ansiosamente, “o que é que vamos fazer hoje, professora?” (também gosto que alguns usem o “Professora”, foi de tantas vezes lhes dizer, “você, não, a professora!” e o”professora” vai ficando nalguns, bem mais bonito que o “stora”).

Começam a sentar-se e lá lhes explico que ali é como nos campeonatos de futebol, os melhores do ranking não podem ficar nos mesmos grupos :) Enquanto divido a B, a M., a F., a C. … pelos grupos e tento equilibrá-los ouço alguém dizer “as mais inteligentes”; aproveito para lembrar que não, em 24 e anos de carreira, não tive, nem tenho, nem… terei alunos mais inteligentes ou mais burros, tenho aqueles que lêem mais, que trabalham mais (e o trabalho compensa) e outros que demoraram mais a sentir-se motivados para trabalhar, porque sim, é verdade, há naturezas mais preguiçosas :) E tantos que já evoluiram desde setembro… Ainda assim, com imensas aprendizagens por saber.  Mas, como dizia há dias ao L., “calma, não podemos resolver em 3 meses dificuldades que vieram contigo desde o 1.º ciclo, calma, … o mais importante é que queiras melhorar…., e que a aula te diga alguma coisa..”

Finalmente estão calmos, têm sobre a mesa o material que pedi: apenas, uma folha A4 pautada, um lápis e uma IMG_20170324_083839caneta. Não há tecnologias hoje. Às vezes, digo a brincar que a melhor tecnologia que têm está entre as orelhas :) Hoje digo-lhes que cada grupo terá que solucionar um problema, colaborar para encontrar a solução. E qual é o problema? Um teste. Sim, Um teste normalíssimo, leitura, escrita e alguma gramática. Mais uma vez texto poético. Hummmm, coisa estranha…. as coisas estranhas que esta professora pede são sempre, no mínimo, curiosas…. Explico as regras, os alunos tal e tal não podem puxar aquela carroça sozinhos, não podem cair na tentação de encontrar e dar as respostas sozinhos, têm que puxar pelos outros, os outros devem esforçar-se, perguntar, ler, reler, procurar, encontrar, sistematizar. Têm, a partir daquele momento, 45 minutos. São 45 minutos em que eu percorro os grupos, escuto, apoio, resolvo pequenas dúvidas, dou pequenos empurrões…. é verdade….. o texto poético não é imediato :)

IMG_20170324_092114Os 45 minutos passam; e como em qualquer jogo, há equipas em que correu melhor e com outras menos bem. Passado esse tempo, dou nova instrução: a partir de agora, silêncio absoluto: cada um, individualmente, vai responder ao teste, de forma cuidada e completa, a partir das notas que tirou a lápis.

Insisto que só lhes dou 28 minutos, sim 28, precisamos dos últimos dois para serem eles a colocarem a sala como estava antes.

E o silêncio faz-se, sem problemas, e o trabalho faz-se com afinco. Os resultados? só vou analisá-los daqui a dias mas acredito que, para muitos, a atividade prévia de discussão ajudou à compreensão do texto. Antes disso, colabestou preocupada em avaliar a atividade em si, em saber o que pensaram, o que sentiram, como correu. Vou ler este documento que aqui vos deixo e fazer um instrumento de avaliação que usarão a partir de uma rubrica aliada a um formulário, com os iPads, na aula de 3.ªf.

Depois volto para contar.

PS: embora muito do que faça seja intutivo (já uso rubricas há algum tempo), não posso deixar de partilhar a ligação a alguns cenários de aprendizagem que, depois de testados no projeto ITEC, estiveram presentes no projeto CREATIVE CLASSROOMS e estão agora no projeto CO-LAB. Todos estes projetos são da Rede Europeia de Ministérios da Educação, European Schoolnet  e têm sido coordenados em Portugal pela Direção-Geral da Educação (Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas).

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